Prevenção da displasia coxofemoral: cuidados com filhotes e raças predispostas
- Felipe Garofallo
- 25 de fev.
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A displasia coxofemoral é uma das doenças ortopédicas mais comuns em cães, especialmente em raças de médio e grande porte. Trata-se de uma condição hereditária e multifatorial que afeta a articulação do quadril, levando a um encaixe inadequado entre a cabeça do fêmur e o acetábulo, resultando em instabilidade, inflamação e, a longo prazo, osteoartrose. Embora a genética seja um fator determinante, diversos cuidados durante o crescimento do filhote podem minimizar a progressão da doença e até evitar o desenvolvimento de sintomas severos.

A prevenção da displasia coxofemoral começa ainda na fase de seleção dos pais reprodutores. Criadores responsáveis realizam exames radiográficos em cães adultos antes da reprodução, descartando da linhagem aqueles que apresentam sinais de displasia. Essa seleção genética é fundamental para reduzir a incidência da doença nas futuras gerações. No entanto, mesmo cães sem histórico de displasia podem gerar filhotes com predisposição, tornando essencial o controle de fatores ambientais e nutricionais desde os primeiros meses de vida.
A alimentação é um dos principais aspectos no desenvolvimento saudável das articulações. O crescimento rápido e o excesso de peso são fatores de risco para a displasia, pois aumentam a sobrecarga nas articulações em desenvolvimento. Cães de raças predispostas devem receber uma dieta balanceada, com níveis adequados de cálcio e fósforo, evitando suplementação excessiva desses minerais, que pode levar a um crescimento ósseo desordenado. Alimentos formulados especificamente para filhotes de raças grandes contêm a proporção correta de nutrientes para promover um desenvolvimento articular adequado.
O controle do peso corporal também é crucial para a prevenção da displasia. Cães com sobrepeso durante a fase de crescimento estão mais suscetíveis à instabilidade articular, agravando a deformação do quadril. Para evitar esse problema, é essencial monitorar a condição corporal do filhote, ajustando a alimentação conforme necessário e garantindo uma rotina de exercícios adequados.
A atividade física deve ser controlada e planejada conforme a idade e o porte do cão. Filhotes não devem ser submetidos a exercícios de alto impacto, como subir e descer escadas frequentemente, pular de alturas elevadas ou realizar corridas intensas. Atividades de baixo impacto, como caminhadas moderadas e brincadeiras controladas, são preferíveis. Além disso, pisos escorregadios dentro de casa podem contribuir para lesões articulares e instabilidade no desenvolvimento do quadril. O uso de tapetes antiderrapantes pode ajudar a prevenir quedas e traumas articulares.
A fisioterapia preventiva pode ser uma aliada importante no desenvolvimento de filhotes com predisposição à displasia. Técnicas como hidroterapia auxiliam no fortalecimento muscular sem gerar impacto excessivo sobre as articulações. Além disso, massagens e alongamentos podem melhorar a mobilidade articular e reduzir a rigidez muscular.
Outro aspecto fundamental é a avaliação veterinária precoce. Exames clínicos e radiográficos podem identificar sinais iniciais de displasia antes do surgimento dos sintomas. O exame ortopédico inclui testes como o de Ortolani, que avalia a instabilidade do quadril. Quando necessário, radiografias podem ser realizadas a partir dos quatro meses de idade para estimar o risco de displasia, permitindo intervenções precoces.
Diversas raças são mais predispostas à displasia coxofemoral, incluindo Golden Retriever, Labrador Retriever, Pastor Alemão, Rottweiler, São Bernardo, Bernese Mountain Dog e Bulldog Inglês. Nesses cães, a prevenção deve ser ainda mais rigorosa, especialmente durante os primeiros doze meses de vida, período crítico para o desenvolvimento do quadril.
Caso um filhote apresente sinais precoces de displasia, existem abordagens terapêuticas que podem minimizar o impacto da doença. Técnicas como a sinfisiodese púbica juvenil, quando realizada antes dos cinco meses de idade, podem alterar o crescimento do quadril para proporcionar melhor estabilidade articular. Em casos mais avançados, cirurgias corretivas como a osteotomia dupla de pelve podem ser indicadas para evitar a progressão da osteoartrose.
Por fim, a conscientização dos tutores é essencial para garantir que cães de raças predispostas tenham uma vida longa e saudável. A displasia coxofemoral não precisa ser uma sentença de sofrimento para o animal. Com medidas preventivas adequadas, o impacto da doença pode ser significativamente reduzido, proporcionando qualidade de vida ao pet.
Referências bibliográficas
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Smith, G. K., & Biery, D. N. (2021). The Role of Nutrition and Exercise in Canine Hip Dysplasia Prevention. Journal of Veterinary Medicine, 68(4), 327-340.
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